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Criança que tentou afogar o cão com antecedentes de crueldade gera debate de revolta na TVI

Sociedade absolutamente apática”: Inês Bailinha lamenta falta de empatia numa sociedade ‘adormecida’.

O chocante caso de um menor de 12 anos que tentou afogar um cachorro num lago no Parque Oeste, na Alta de Lisboa, esteve no centro do debate na rubrica “Crónica Criminal” do programa Dois às 10, na TVI. Conduzido por Cláudio Ramos, o espaço de análise contou com as intervenções acutilantes da advogada Suzana Garcia, do jornalista Vítor Marques e da psicóloga Inês Bailinha, que manifestaram profundo repúdio e perplexidade perante os contornos do incidente.

 

A contextualização do caso foi feita através de uma reportagem em direto da jornalista Taciana Xavier, que revelou que o ato de crueldade durou cerca de 40 minutos e foi integralmente filmado por um popular sem que houvesse qualquer intervenção direta para travar a agressão. O alerta acabou por surgir na internet, motivando a deslocação imediata de uma funcionária da Associação dos Animais de Lisboa ao local. A profissional conseguiu intercetar o menor, resgatar o cão — que apresentava escoriações nas patas e acumulação de água na cavidade abdominal — e conduzir o jovem à esquadra da PSP, onde a mãe foi posteriormente notificada e alvo de uma queixa-crime. Segundo apurado, o menor já se encontra referenciado por antecedentes de violência contra animais, incluindo a queima de patos vivos e a mutilação de lagartixas.

 

Inércia de Quem Filmou e Falha na Tutela Familiar

As reações em estúdio focaram-se de imediato na negligência parental e no comportamento social de quem assistiu ao crime. Vítor Marques questionou de forma incisiva a estrutura familiar do jovem, criticando o facto de os encarregados de educação terem oferecido um animal de estimação a uma criança com um historial clínico e comportamental tão violento. O comentador estendeu ainda as críticas ao autor do vídeo: “Alguém que filma durante 40 minutos uma barbaridade destas e não vai lá e não retira o cão… deixamos também de falar”, afirmou, secundado por Cláudio Ramos, que defendeu a responsabilização legal de quem prefere registar imagens em vez de socorrer a vítima.

 

Suzana Garcia interveio com particular veemência, argumentando que a neurociência recusa a ideia de que as pessoas nascem inerentemente más, sublinhando o peso esmagador do ambiente e da orientação familiar no desenvolvimento infantojuvenil. Para a advogada, os pais falharam redondamente na sua obrigação basilar de supervisão e direcionamento:

 

«Uma mãe e um pai, se nós que somos comentadores, os jornalistas, têm acesso à informação de que a criança já fazia isto às lagartixas e aos patos, os pais também o sabiam. É gravíssimo. Não é só esta criança que devia estar a responder judicialmente, eram os pais também», asseverou Suzana Garcia, alertando ainda para o risco real de afogamento a que o próprio menor esteve exposto ao longo dos 40 minutos em que permaneceu sem qualquer vigilância junto ao lago.

 

Apatia Social e Perturbação Emocional

Sob a perspetiva clínica, a psicóloga Inês Bailinha centrou a sua análise na crescente dessensibilização e “apatia” da sociedade contemporânea, onde as plataformas digitais parecem sobrepor-se à intervenção cívica no mundo real. A especialista manifestou-se horrorizada com a ausência de humanidade e empatia demonstrada pelo rapaz ao prolongar o sofrimento do animal por tanto tempo.

 

Inês Bailinha explicou que a obtenção de prazer ou alívio através da dor alheia e do sofrimento de seres vivos é um indicador claro de um distúrbio emocional severo e perverso. A psicóloga equacionou hipóteses como a projeção de violência outrora sofrida ou testemunhada, ou uma falha crónica no controlo de impulsos, concluindo com um aviso sério de que se trata de uma criança profundamente perturbada que necessita de uma intervenção psicoterapêutica e de um acompanhamento institucional urgente. A fechar o debate, o painel concordou com Cláudio Ramos ao reforçar que a detenção de animais de estimação acarreta uma responsabilidade civil e moral gigante, que a sociedade não pode continuar a negligenciar.

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